MATA*BOSK explora a percepção enquanto fenómeno que nasce da relação entre contorno e matéria. Em palco desenha-se uma paisagem hipnagógica, atravessada por corpos-sinal e corpos-relevo, onde o que se vê emerge, ganha forma e volta a dissolver-se.
A peça aproxima-se de uma ecologia da percepção. O corpo deixa de ser o centro absoluto da experiência e passa a conviver com o espaço abstrato que o revela e o absorve, com o escuro como matéria e densidade, com as sombras que se contaminam e se confundem, com a música que gera mistério e promete um futuro. Mais do que coreografar o movimento, trata-se de coreografar a percepção de múltiplos acontecimentos simultâneos, que se vão desdobrando uns a partir dos outros.
MATA*BOSK parte do vocabulário de cada intérprete para chegar a uma linguagem comum. É também um exercício de comunidade: aprender a cultivar a atenção, a encontrar-se, a deixar morrer certas formas para que outras possam surgir, e a tecer, de forma rizomática, um discurso artístico partilhado e a vontade de estarmos juntos.
Vivemos num tempo marcado pela fragmentação, pelo isolamento e pela aceleração. A atenção tornou-se um bem disputado. Criar e manter comunidades coesas deixou de ser apenas um desejo e tornou-se uma necessidade. É em comunidade que imaginamos futuros que ninguém consegue imaginar sozinho. MATA*BOSK propõe o palco como lugar de ensaio dessa forma de estar junto.
O projeto nasce do convite da Escola Superior de Dança e do São Luiz Teatro Municipal para uma colaboração entre Catarina Miranda e os estudantes do 3.º ano da Licenciatura em Dança.